quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ser mãe é sentir Culpa

A melhor experiência que a vida me proporcionou, sem dúvida alguma foi a maternidade!
Há quatro meses, venho me deleitando com os prazeres e afliçoes (nem tudo são flores) desse capítulo só iniciado na minha vida.
Durante o primeiro trimestre, uma certeza me turbinava os dias: Nasci para cuidar do meu filho!
E junto com essa certeza, outra maior ainda: deixar de trabalhar fora para ficar com ele!
Passado esses quatro meses, e menos confiante como no princípio, começo a colocar em cheque se realmente esse é o caminho.

Bom, que nasci para cuidar do meu filho, isso não tenho dúvidas mesmo.
Meu filho é um tesouro inestimável em minha vida.
A questão é: deixar de trabalhar fora, é o que eu posso de oferecer de melhor para ele?
Não estou gostando da mulher que estou me transformando ficando dentro de casa.
Ou será que não estou gostando de doar exclusivamente meu tempo a esse ser?
Eu tenho que doar-me totalmente e completamente a esse ser?
E a culpa de me questionar sobre essas dúvidas, onde coloco?

Outro dia, ouvi a Angélica (do Luciano Huck) dizer: " Ser mãe é sentir culpa ".
Não quero concordar com isso, apesar de no momento concordar completamente com isso!
Quero cuidar de mim e ser uma pessoa feliz para ficar com meu filho.
Mas eu não deveria estar feliz em ficar em casa e poder ficar integralmente com ele. Deveria? Poderia?
Regressando ao trabalho, serei uma pessoa melhor, e terei menos tempo para ficar com ele mas, em contra partida...  ficando em casa, estarei frustrada e com todo o tempo do mundo para fica com ele, mesmo não estando completa.
Não é o que o trabalho me completa, ou me torna feliz. Mas me faz feliz, eu poder ter o "meu" dia. Fazer as "minhas" coisas, ter a "minha função".  Me faz feliz eu "Ser".

É fantástico essa abgnação que a maternidade nos proporciona. Chega a ser irracional, pois só vivendo para entender mesmo. É total e completa doação a outro ser. Uma mãe se dedica a um filho de uma forma como em nenhum outro relacionamento na vida. Doa-se incondicionalmente, de corpo e alma, sem espera de nenhum tipo de reconhecimento. Uma abdicação tão intensa que abandonamos nosso ser para alimentar a vida de outro. Esse mecanismo me aproximou de Deus, com certeza!

Mas chega um momento, não sei se é egoísmo meu, que começo a pensar a voltar a viver para mim um pouco também.
A doação continua, mas não de forma integral, incessante, inesgotável.
Começo a pensar que para essa doação permanecer e ser qualitativa, é preciso renovar as energias desse foco integral dos primeiros meses! Caso contrário, frustra.
Contraditóriamente, o coração de mãe, aponta o dedo julgando-me cruel e fria, por pensar em mim, enquanto tenho um anjo deitado no berço contando comigo para tudo.
O conflito interno é exatamente esse: quero ficar com meu pequeno todo o tempo do mundo enquanto Deus me permitir, mas quero voltar a ter um pedacinho do dia para mim também, seja para trabalhar, ou o que for.

No meu caso, voltarei a trabalhar, por responsabilidade na questão financeira. Mas, mesmo já tomada essa decisão, o conflito vem, pelo simples fato do pensamento ter norteado minha mente sobre essa divisão de tempo, de atenção.

Antes eu era uma mulher com conflitos internos, agora sou um mulher que tem a maternidade como tema para degladiar minha mente.


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